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Google é acusado de pagar para a Apple não criar um buscador rival


A Apple teria feito um acordo com o Google para não desenvolver um mecanismo próprio de pesquisa na internet enquanto a Gigante da Web pagasse para se manter como a opção padrão no Safari. A denúncia vem de uma ação coletiva aberta em um tribunal da Califórnia, nos Estados Unidos, contra a Maçã e a gigante das buscas.

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O processo alega que esse acordo viola as leis antitruste dos Estados Unidos porque causa impactos na concorrência do mercado de buscas na web. Sem concorrentes à altura, a gigante de Mountain View ficaria livre para conduzir os sistemas de pesquisa da maneira como desejar, o que teria estabelecido uma espécie de monopólio a partir do abuso de poder econômico.

O Safari tem o buscador do Google como padrão há anos (Imagem: Nathana Rebouças/Unsplash)

A ação judicial acusa do CEO da Apple, Tim Cook, e o CEO do Google, Sundar Pichai, de terem organizado "reuniões secretas irregulares" para tratar de tais termos. Uma das cláusulas do contrato estabeleceria, inclusive, que haveria uma divisão de lucros com a Apple se a empresa der tratamento preferencial ao buscador nos seus dispositivos iPhone e iPad.

Esses valores repassados à Maçã seriam constituídos de pagamentos anuais bilionários em dólares, sob a condição de que a empresa jamais lançará seu próprio sistema de buscas. O objetivo disso seria fortalecer ambas as companhias, comprar correntes com potenciais ou exterminar os rivais menores que insistirem em rivalizar com o buscador do Google.

Impacto do acordo no bolso dos anunciantes

Segundo a ação, o resultado dessa prática seriam taxas de publicidade mais altas pagas pelos anunciantes interessados em aparecer com destaque na página inicial da pesquisa. Se houvesse uma disputa mais igualitária, é provável que o custo de campanhas caísse porque os concorrentes poderiam usar taxas mais baixas para fidelizar clientes.

Caso a corte estadunidense julgue procedente o pedido, Google e Apple teriam tal acordo de não concorrência interrompido, o que incluiria a participação nos lucros, o tratamento preferencial e os repasses bilionários. A reclamação pede ainda que as gigantes sejam subdivididas em empresas separadas e independentes, conforme o precedente aberto pelo caso da empresa Standard Oil - separada em Exxon, Mobile, Conoco, Amoco, Sohio e Chevron.

Por que a Apple não tem um buscador próprio?

Seria inocência achar que a Apple jamais teria pensado em adentrar no mundo das buscas sem que houvesse uma razão financeira muito forte para impedi-la. Ademais, o Google é o maior rival da criadora do iPhone no segmento de sistemas operacionais, por isso a manutenção do buscador padrão no Safari deve ter um contrato lucrativo para ambos.

Nenhuma das empresas jamais confirmou quanto o Google paga para manter seu sistema de busca como o padrão da Apple, mas a estimativa gira na casa dos bilhões, afinal o iOS é um poderoso sistema com usuários fiéis e em constante crescimento. Em 2020, o jornal The New York Times estimou valores entre US$ 8 e 12 bilhões por ano, mas a quantia poderia chegar até a US$ 15 bilhões (cerca de R$ 85,5 bilhões).

Se for verdade, esse montante repassado pode significa quase 20% do lucro anual da Apple, razão pela qual o acordo se manteria intocado por tantos anos. Esse contrato inclusive seria alvo de uma investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que afirma que o acordo representaria uma tática ilegal usada para proteger o monopólio do buscador e sufocar eventuais concorrentes.

É provável que Google e Apple se defendam da acusação como já fizeram em situações anteriores, de que as pessoas têm liberdade de escolher outros mecanismos de busca no Safari, como o Bing, o Yahoo e o DuckDuckGo. A gigante de Cupertino tem ainda um trunfo na manga: o Applebot, que opera em segundo plano para melhorar os resultados de busca da Siri e dos Destaques, o que seria uma espécie de mecanismo de busca interno dos aparelhos.

Fonte: PR News Wire, The New York Times, Canaltech